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O impacto do consumo de carne na saúde dos portugueses

Figura 1 – Evolução da prevalência do excesso de peso e da obesidade em Portugal

A prevalência, quer do excesso de peso, quer de obesidade, tem vindo a aumentar em Portugal desde o início do século XXI.

Para calcular o número de kcal que cada pessoa necessita de consumir por dia deve-se ter em consideração vários fatores como idade, regularidade da atividade física, sexo, altura, entre outros, mas usemos a indicação da média dada no PNPAS (Programa Nacional para a Promoção de Alimentação Saudável) para um adulto.

Figura 2 – Necessidades energéticas totais diárias para um adulto

Em média, um português com mais ou menos 40 anos necessita de 2263kcal.

No entanto, o inquérito do INE (Instituto Nacional de Estatística) à balança alimentar portuguesa apurou que a média de kcal consumidas por dias era de 3895 em 2016.

Figura 3 – Disponibilidades diárias per capita de calorias

Estes dados estão interligados, mas aqui vamos dar foco ao consumo de carne, visto que não se fala o suficiente do seu real impacto na saúde dos portugueses.

Neste mesmo inquérito, é-nos mostrada a recomendação da roda dos alimentos prevista pela DGS, e a evolução que tem vindo a ter na nossa alimentação efetiva.

Figura 4 – Disponibilidades alimentares para consumo no período 2012-2016

Como podemos ver, focando apenas no consumo de carne, dentro da distribuição alimentar que fazemos, consumimos mais do triplo do recomendado e está numa curva crescente.

Lembrem-se que já consumimos kcal a mais, e dentro das kcal a mais que consumimos, as percentagens do que deveríamos consumir estão desalinhadas.

Talvez esta imagem explique melhor o desequilíbrio alimentar face ao recomendado.

Figura 5 – Desequilíbrio alimentar face ao recomendado

O maior desequilíbrio está precisamente no excesso do consumo de carne.

No portal do INE, também somos informados que o consumo médio de carne per capita era de 119 kg/hab. em 2019.

Figura 6 – Consumo médio de carne per capita em 2019

Decidimos então fazer as contas ao que a DGS e o seu PNPAS recomenda em relação ao consumo de carne e ao que efetivamente consumimos para ver a diferença.

Figura 7 – Percentagem do consumo de carne pela DGS

Mesmo que consumamos o máximo que a DGS recomenda por dia, no final do ano podemos consumir 49,275 kg de carne (30gX4,5porçõesX365dias).

Se consumirmos algo dentro dessa média, 30gX3porçõesX365dias, devemos consumir 32,85 kg.

Isto quer dizer que consumimos, pelo menos 3,6X carne a mais o que devíamos, em média.

Para concluir, fica uma imagem da percentagem total de DALYs(disability-adjusted Life years ou esperança de vida corrigida pela incapacidade) por fator de risco alimentar no PNPAS de 2020, um documento da DGS que quase não refere o consumo de carne nas suas 73 páginas.

Figura 8 – Percentagem total de DALYs no PNPAS de 2020

O consumo excessivo de carne retira qualidade de vida!

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