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O número de camas de hospital por 100 mil habitantes na Europa

A pandemia trouxe como um dos temas principais, a lotação dos hospitais e o número de camas hospitalares disponíveis em Portugal.

Apesar de terem existido problemas no SNS por falta de camas hospitalares, a verdade é que desde o ano 2000, todos os países desenvolvidos têm diminuido visivelmente o número de camas, enquanto que Portugal pouco diminuiu.

Figura 1 – Número de camas de hospital por 100 mil habitantes

Os nosso artigos têm vindo a mostrar como analisar dados de uma forma mais profunda de forma a entendê-los realmente. Com esta variação, Portugal ultrapassou vários países da UE, o que não é bom sinal, mesmo que pareça.

Vamos ver melhor o porquê e como se movimentaram os países ao longo de 18 anos de dados.

Comecemos pelo mais obvio, mas nem sempre notado!

Se é preciso camas de hospital é porque a população não está saudável.

Não vamos considerar todos os fatores, mas apenas 2 que são, na grande maioria dos casos, escolhas da própria população.

Figura 2 – Prevalência de tabagismo, por país, 2012 e 2017, na população com 15 anos ou mais

Como podemos observar nos dados sobre a prevalência de tabagismo, Portugal está acompanhado com os outros países que menos desceram no rank, ou até subiram. Mais de 25% da população com mais de 15 anos, em 2017, fumava, ou seja, 1 em cada 4. Mas há também outra observação a tirar destes dados:

Poucos países aumentaram a prevalência de fumadores na sociedade, mas Portugal está nesse grupo. Tendo sido o segundo pais que mais novos fumadores teve num espaço de 5 anos.

Países como Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Alemanha, Holanda, Bélgica… todos tinham mais população a fumar em 2012 do que Portugal.

Outro ponto é a obesidade e o excesso de peso. Lembrando que este tipo de escolhas têm riscos para a saúde, daí ter uma população mais irresponsável no estilo de vida se manifeste em maior despesa na saúde.

Figura 3 – Proporção de homens com sobrepeso e obesos, 2014

Em 2014, mais de metade dos homens tinham excesso de peso e 1 em cada 6 era obeso; podem ver o numero atual aqui, tendo mais uma vez os “bons países” com taxas mais baixas, tais como Dinamarca, Suécia e Holanda.

Figura 4 – Proporção de mulheres com sobrepeso e obesas em 2014

Já as mulheres, estão quase no topo da lista europeia, com metade da população feminina com excesso de peso e cerca de 18% obesa.

Algo ainda mais preocupante é a incidência da obesidade nas crianças.

Figura 5 – Obesidade nas crianças entre 6 e 9 anos
Figura 6 – Prevalência de excesso de peso e obesidade

29% dos rapazes com idade entre os 6 e 9 anos estão com excesso de peso, dos quais 12% são obesos.

E mais uma vez, as raparigas, em comparação com os outros países estão pior posicionados com a obesidade infantil nos 11% e o excesso de peso em 32%.

Figura 7 – Número de camas de hospital por 100 mil habitantes na Europa

Podemos então concluir que os movimentos da tabela foram numa tendência decrescente nos países “bons”, tais como a Escandinávia e Benelux, irlanda, suíça… E mesmo as variações dos países do topo, como a Alemanha foram com uma percentagem muito maior do que Portugal.

Mostrando assim aos nossos leitores que olhar apenas para um dado ou um rank e assumir seja o que for, pode não ser grande ideia.

Ter maus hábitos custa, não só na saúde, mas também na carteira dos portugueses.

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O impacto do consumo de carne na saúde dos portugueses

Figura 1 – Evolução da prevalência do excesso de peso e da obesidade em Portugal

A prevalência, quer do excesso de peso, quer de obesidade, tem vindo a aumentar em Portugal desde o início do século XXI.

Para calcular o número de kcal que cada pessoa necessita de consumir por dia deve-se ter em consideração vários fatores como idade, regularidade da atividade física, sexo, altura, entre outros, mas usemos a indicação da média dada no PNPAS (Programa Nacional para a Promoção de Alimentação Saudável) para um adulto.

Figura 2 – Necessidades energéticas totais diárias para um adulto

Em média, um português com mais ou menos 40 anos necessita de 2263kcal.

No entanto, o inquérito do INE (Instituto Nacional de Estatística) à balança alimentar portuguesa apurou que a média de kcal consumidas por dias era de 3895 em 2016.

Figura 3 – Disponibilidades diárias per capita de calorias

Estes dados estão interligados, mas aqui vamos dar foco ao consumo de carne, visto que não se fala o suficiente do seu real impacto na saúde dos portugueses.

Neste mesmo inquérito, é-nos mostrada a recomendação da roda dos alimentos prevista pela DGS, e a evolução que tem vindo a ter na nossa alimentação efetiva.

Figura 4 – Disponibilidades alimentares para consumo no período 2012-2016

Como podemos ver, focando apenas no consumo de carne, dentro da distribuição alimentar que fazemos, consumimos mais do triplo do recomendado e está numa curva crescente.

Lembrem-se que já consumimos kcal a mais, e dentro das kcal a mais que consumimos, as percentagens do que deveríamos consumir estão desalinhadas.

Talvez esta imagem explique melhor o desequilíbrio alimentar face ao recomendado.

Figura 5 – Desequilíbrio alimentar face ao recomendado

O maior desequilíbrio está precisamente no excesso do consumo de carne.

No portal do INE, também somos informados que o consumo médio de carne per capita era de 119 kg/hab. em 2019.

Figura 6 – Consumo médio de carne per capita em 2019

Decidimos então fazer as contas ao que a DGS e o seu PNPAS recomenda em relação ao consumo de carne e ao que efetivamente consumimos para ver a diferença.

Figura 7 – Percentagem do consumo de carne pela DGS

Mesmo que consumamos o máximo que a DGS recomenda por dia, no final do ano podemos consumir 49,275 kg de carne (30gX4,5porçõesX365dias).

Se consumirmos algo dentro dessa média, 30gX3porçõesX365dias, devemos consumir 32,85 kg.

Isto quer dizer que consumimos, pelo menos 3,6X carne a mais o que devíamos, em média.

Para concluir, fica uma imagem da percentagem total de DALYs(disability-adjusted Life years ou esperança de vida corrigida pela incapacidade) por fator de risco alimentar no PNPAS de 2020, um documento da DGS que quase não refere o consumo de carne nas suas 73 páginas.

Figura 8 – Percentagem total de DALYs no PNPAS de 2020

O consumo excessivo de carne retira qualidade de vida!