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Os números da pesca em Portugal

Portugal é o país da união europeia que tem mais presente o consumo de peixe na sua população. Cada português consome, em média, 55.6kg de peixe por ano. O facto de termos boa parte do país com acesso ao mar, tem o seu peso nestes números.

Figura 1 – Consumo de peixe em kg por habitante na UE

A pesca pode ter um impacto desvastador no oceano. Existem várias técnicas de pesca, mas a que mais impacta negativamente o oceano e o fundo do mar, é a pesca de arrasto.

Figura 2 – Imagens do fundo do mar onde se realizou pesca de arrasto
Figura 3 – Impacto Ambiental do arrasto em Portugal (Fonte: Pesca de arrasto em Portugal. E se fosse na terra?)
Figura 4 – Impacto económico do arrasto em Portugal (Fonte: Pesca de arrasto em Portugal. E se fosse na terra?)

As descargas incluem apenas as capturas que chegam a terra, pelo que a quantidade de rejeições não é contabilizada. Se as capturas deitadas ao mar fossem seriamente consideradas na definição de políticas de pesca, em vez de apenas as descargas, é de crer que há muito o arrasto teria sido proibido, pois os seus custos ambientais para a sociedade provavelmente ultrapassam os benefícios em termos de emprego, segurança alimentar, etc.

Figura 5 – Gráfico do número de embarcações por classes de GT em Portugal em 2012 e 2019
Figura 6 – Gráfico do total de pescado capturado pela frota portuguesa em toneladas

No que toca ao número de embarcações e ao total de pescado capturado pela frota portuguesa, estes têm vindo a diminuir desde 2013 até 2019. Apesar de isto ser um sinal positivo, o tipo de pesca mais negativa para o mar continua a aumentar.

Figura 7 – Pesca de arrasto
Figura 8 – Pesca de cerco
Figura 9 – Aquicultura
Figura 10 – Gráfico do número de toneladas descarregadas por tipo de pesca em 2012 e 2019 (*2018 para aquicultura)

Apesar dos efeitos devastadores para o fundo do mar e para a biodiversidade do oceano, entre 2012 e 2019, a pesca de arrasto continuou a aumentar…

…e devem achar que os peixes de apicultura comem ar!

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O impacto ambiental da agropecuária em Portugal

Figura 1 – Utilização do solo em Portugal

Dados do ICNF indicam que em 2015 Portugal tinha apenas 5% do território urbanizado, querendo isto dizer que 95% do território se destina a rios, floresta, matos, pastagens, terras agrícolas e terrenos improdutivos.

Pouco mais de 1/3 do território destina-se a floresta. Já a agricultura, os matos e as pastagens ocupam mais de 50% do território.

Comparando os 36% de floresta aos 55% de uso em matos, pastagens e agricultura, parece que Portugal não está a contribuir para a biodiversidade e o ambiente.

Basta ver a posição de Portugal na lista vermelha de espécies em via de extinção, quer no mundo, quer na UE. Portugal é o 27º país da lista com mais espécies em via de extinção no mundo. Na Europa é 4º.

Figura 2 – Utilização das terras agrícolas (1989-2019)

Como podemos ver, entre 1989 e 2009 o uso de solo nacional para agricultura teve uma tendência decrescente, alterando a sua predominância de terras aráveis para pastagens permanentes. Entre 2009 e 2019 vimos um aumento de uso de solo para agricultura e pastagem, principalmente pastagens.

Mais de 2000000ha ou 20000km2 do país são usados como pastagem permanente. O país tem pouco mais de 92000km2 e os humanos e toda a sua urbanização usam cerca de 5% dessa área. Em comparação, só a pastagem usa mais de 20%.

Figura 3 – Culturas temporárias (1989-2019)

Dentro das culturas temporárias, também os prados e forrageiras se responsabilizam pela maior parte do uso do solo. Mas porquê?

Figura 4 – Efetivos animais (1989-2019)

A produção de bovinos, mesmo sabendo que são uma grande fonte de metano, um dos piores gases com efeito de estufa, tem vindo a aumentar, ao mesmo tempo que reduz o numero de explorações, concentrando cada vez mais os animais. O numero de caprinos e ovinos tem vindo a diminuir, mas os suínos viu uma alteração na trajetória nos últimos 10 anos.

Mais pastagens, mais animais para alimentar é sinónimo de menos recursos disponíveis para um ecossistema saudável.

Já falamos do uso de solo, não vamos falar na produção de gases de efeito de estufa, mas para finalizar vamos sim falar no consumo de água.

Figura 5 – Volumes de água utilizados por sector (hm3/ano)

Toda a atividade humana, desde produção industrial, ao turismo, ao uso no quotidiano da vida urbana corresponde a cerca de 1/4 do uso de agua em Portugal. 75% do uso de agua em Portugal está diretamente relacionado com a agricultura e agropecuária.

Figura 6 – Animais abatidos e aprovados para consumo segundo as espécies

Portugal tem de produzir ou importar alimento para mais de 230 milhões de animais que mata anualmente.

Em Portugal são “abatidos e aprovados para consumo”* mais de 380 mil bovinos. Mais de 750 mil ovinos. Mais de 100 mil caprinos. Quase mil equídeos. Mais de 4.3 milhões de coelhos. E mais de 5 milhões e meio de suínos. Estamos a falar de mamíferos, animais que crescem dentro das suas mães e muitos dos mortos são ainda crias. Já aves mortas e aprovadas para consumo são cerca de 220 milhões por ano.

*“abatidos e aprovados para consumo”; quer dizer que há mortos e não aprovados para consumo e animais que não foram mortos mas tiveram de ser alimentados na mesma.

A agropecuária, tem muito impacto ambiental em portugal!